quarta-feira, 3 de junho de 2020

A Paisagem na História da Arte

O primeiro exemplo conhecido de representação da paisagem como tema autónomo, provém da civilização Minóica, na ilha de Creta, por volta do ano 1500 AC. É o chamado "Fresco da Primavera", de Akrotiri, actualmente exposto no Museu Arqueológico Nacional de Atenas. É uma pintura de formas planas e pendor decorativo, como tendem a ser os frescos e a pintura mural, até aos dias de hoje (com óbvias excepções, como a pintura em "trompe l'oeil", de que falaremos mais adiante).


"Fresco da Primavera", de Akrotiri, Creta. Cerca de 1500 A.C.

Mais comuns são as representações de caçadas ou outro tipo de cenas em que certos elementos naturais como rochas, vegetação e outros são secundarizados perante a representação de figuras e animais.

Foi no auge da civilização grega e romana que se desenvolveram métodos de representação espacial capazes de sugerir profundidade, através da redução da escala dos elementos mais distantes. De uma forma aparentemente intuitiva e sem o rigor científico ou a verossimilhança que encontramos na Renascença, essas representações surpreendem muitas vezes pelo naturalismo e detalhe. Para além disso parece haver já uma consciência do fenómeno da perspectiva atmosférica em que o contraste do claro-escuro diminui com a distância, como nos frescos da Villa da Imperatriz Livia, em Roma, do séc. I A.C.


Detalhe dos frescos da Villa da Imperatriz Lívia. Roma séc. I A.C.

Na China a partir do séc V até ao presente, desenvolveu-se uma forma de pintura denominada "Shan Shui", (ou "montanha-água" em português). Nestas representações a cor, o tipo e a direcção das pincelada obedecem à teoria chinesa dos cinco elementos, que define interacções específicas entre eles. São pinturas idealizadas e simbólicas que não pretendem representar sítios ou paisagens reais, e que deram origem a um tipo de poesia com o mesmo nome. Ao contrário do que sucede na arte Ocidental até ao século XIX em que a paisagem é considerado um tema menor, na arte chinesa foi sempre um tema central.


"Outono". Guo Xi (1020–1090).

Depois da queda do império romano a tradição paisagista ocidental perdeu-se, ficando limitada aos cenários de cenas religiosas ou históricas. Assim foi até ao século XVI quando os artistas recuperaram a paisagem enquanto tema autónomo.


"A Estigmatização de S. Francisco." Giotto di Bondone ( Vicchio 1267- Florença 1337)


Brunelleschi e a descoberta da Perspectiva Linear

Filippo Brunelleschi (Florença, 1377-1446) foi um do mais importantes arquitectos e artistas renascentistas. A sua obra mais conhecida é a cúpula da catedral ( ou Duomo, em italiano) Santa Maria del Fiore, em Florença. Construída em 1434, foi a primeira cúpula de grandes dimensões, erguida desde a Antiguidade sobre uma enorme base octogonal.


Catedral Santa Maria del Fiore, em Florença, desenhada por Brunelleshi. C. 1434.

Brunelleschi foi também o inventor, ou descobridor, da Perspectiva linear, que veio revolucionar o desenho e a pintura. Existe na história da arte um "antes e depois" de Brunelleschi.
Segundo Vasari, o arquitecto realizou uma série de experiências entre 1415 e 1420, que lhe permitiram produzir desenhos com uma perspectiva exacta do Baptistério de Florença e do Palazzo Vecchio, vistos do seu canto noroeste. Usou um painel de madeira dividido em quadrados, uma placa com um orifício ao nível dos olhos e uma grade. (ver imagem).
Olhou para a fachada da igreja através do buraco na placa e depois copiou no painel exatamente o que viu, quadrado por quadrado. Para comparar a precisão de sua imagem com o objeto real, colocou o desenho ao lado de um espelho reflectindo o edifício. Verificando-se a notável semelhança entre o desenho e a imagem no espelho.

O primeiro exemplo conhecido duma pintura com a perpectiva linear correcta é o fresco da Santissima Trindade, na İgreja de Santa María Novella, em Florença, executado entre 1425/26.


Fresco da Santissima Trindade, na İgreja de Santa María Novella, em Florença. Masaccio, 1425/26.



Os estudos de Brunelleschi sobre a perspectiva foram ampliados por Leon Battista Alberti, Piero della Francesca e Leonardo Da Vinci. Os artistas podiam agora pintar paisagens e cenas imaginárias com um realismo e uma tridimensionalidade nunca antes vistos.
O tratado mais importante sobre pintura do Renascimento, "Della Pittura", de Alberti, foi dedicado a Brunelleschi e descreve a sua teoria em profundidade. Foi publicado em 1436.




Ilustrações do tratado de Pintura Alberti, sobre perspectiva linear, (ou cónica). 1436.


O "Trompe-l' Oeil

Embora a expressão tivesse sua origem no período barroco, a técnica em si já era conhecida desde a Antiguidade, tendo sido practicada pelos gregos e romanos em murais, como por exemplo os de Pompeia, onde o típico mural trompe-l'oeil mostrava uma janela, porta ou corredor pintada como se de uma abertura para o exterior se tratasse.
Com o superior entendimento das técnicas de desenho e perspectiva alcançados após o Renascimento, os artistas passaram a usar essas técnicas com mais profusão.


Fresco no Palazzo Ducale, Mantua, Itália. Andrea Mantegna, 1465.

Com a difusão da perspectiva linear pela Europa, no século XV, as paisagens no fundo dos quadros tornam-se gradualmente mais complexas e pouco antes de 1600 começam a surgir inúmeros desenhos e aguarelas "somente" de paisagens, de artistas como Leonardo da Vinci, Albrecht Dürer, Fra Bartolomeo entre muitos outros.


"Moínho do Salgueiro". Albrecht Durer, 1496\8.

Mas na pintura a óleo os primeiros exemplos são de Albrecht Altdorfer e seus pares da escola alemã do Danúbio, no início do século XVI.


"Paisagem com Lenhador". Albrecht Altdorfer, 1522.

É também nessa altura que Joachim Patinir, na Holanda inventa o termo "landscape" a partir da palavra alemã Weltlandschaft, para designar um tipo de composição na pintura em que vistas aéreas panorâmicas incluindo montanhas, planícies, mar, rios, lagos e edifícios surgem com figuras relativamente minúsculas. Geralmente ilustrando passagens bíblicas, narrativas históricas ou mitológicas, de forma bastante subtil. Pieter Brueghel-o-Velho aperfeiçoou este tipo de composições em várias obras-primas.


"Caronte Atravessando o Estige". Joachim Patinir, 1524\25.


"A Queda de Ícaro". Pieter Brueghel o Velho, 1560.

A emancipação da paisagem na história da arte deu-se no século XVII, nos países baixos, com a diversificação dos temas e géneros de pintura. A burguesia da sociedade protestante, Calvinista, criou uma demanda por temas seculares incluindo a natureza-morta, a pintura de género (representando cenas do quotidiano, muitas vezes passadas no interior de habitações, e tabernas) e a paisagem. Muitos pintores acabaram por especializar-se num destes temas, ainda considerados menores. Mas mesmo os pintores mais célebres deste período, como Rubens ou Rembrandt pintaram ınúmeras paisagens. Entre os paisagitas do denominado "Século de Ouro Holandês", contam-se Jan van Goyen, Aelbert Cuyp, Jacob van Ruisdael, Philips Koninck entre tantos outros, que fizeram deste período um dos mais vibrantes da História da Arte Ocidental. Uma das inovações desta época são as paisagens marítimas, que narram a diáspora holandesa pelos oceanos e pelo mundo. De referir também a importância dada ao céu e a sua utilização como meio expressivo, por vezes oferecendo grande dramatismo.


View of Haarlem and the Haarlemmer Meer. Jan van Goyen, 1646


"Campos de Trigo". Jacob van Ruisdael, 1670.


"Floresta ao Anoitecer, com Caçada". Peter Paul Rubens, 1635.


"Pescadores Remendando as Redes". Julius Porcellis, 1640.


"Navios Holandeses na Tempestade". Jan Porcellis, 1632.


"O Naufrágio do Amsterdam". Anónimo holandês, 1630.


A Tradição Inglesa

Na Inglaterra, as paisagens ocupavam o fundo dos retratos, representando muitas vezes as propriedades dos retratados. A tradição pictórica inglesa foi fundada por Anthony van Dyck e outros artistas maioritariamente flamengos que fizeram escola em Inglaterra.

"Carlos I na Caça". Anthony van Dyck, 1635.

Mas no século XVIII as obras do francês Claude Lorrain (1600\1682) tornaram-se uma forte influência não apenas na pintura de paisagens, mas também nos jardins paisagísticos ingleses de Capability Brown e outros.

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"Porto de Mar ao Pôr-do-sol". Claude Lorrain, 1639.

No século XVIII a paisagem em aquarela tornou-se uma especialidade inglesa, com um mercado dinâmico e um grande número de pintores amadores, instruídos pelos livros de Alexander Cozens e outros. Formou-se uma tradição particular de artistas que apenas, ou quase inteiramente, pintaram aquarelas de paisagens, como não ocorreu em outros países.
Os principais artistas incluem John Robert Cozens, Francis Towne, Thomas Girtin, Michael Angelo Rooker, William Pars, Thomas Hearne e John Warwick Smith, todos no final do século XVIII, e Joseph Mallord William Turner, John Varley, John Sell Cotman e Anthony Copley. Fielding, Samuel Palmer no início do século XIX.


"Lago de Vico Entre Roma e Florença" Aquarela de John Robert Cozens, 1783.


"Vale Perto de Matlock". Aguarela de Alexander Cozens, séc. XVIII.

No começo do século XIX, os mais reputados artistas ingleses eram principalmente paisagistas, como John Constable, William Turner ou Samuel Palmer. No entanto o mercado de arte ainda preferia pinturas históricas e retratos.

File:Joseph Mallord William Turner (British - Modern Rome-Campo Vaccino - Google Art Project.jpg
"Roma Moderna". William Turner, 1839.

File:John Constable - Wivenhoe Park, Essex - Google Art Project.jpg
"Wivenhoe Park, Essex". John Constable, 1816.


A Paisagem no século XIX - O Gérmen da Modernidade

Na Europa segundo John Ruskin a pintura de paisagem foi a "principal criação artística do século XIX" e "a arte dominante". Foi com o crescimento do movimento romântico, que a paisagem se tornou um tema nobre, incluindo as paisagens remotas e selvagens.
Na Alemanha um dos seus expoentes foi Caspar David Friedrich, que desenvolveu uma obra extremamente pessoal, de forte cunho poético e pendor existencial.


Caspar David Friedrich

Os franceses da escola de Barbizon estabeleceram uma tradição paisagística, denominada "naturalismo", que se tornaria a mais influente da Europa por um século, assente na pintura "en plein air", continuada e aprofundada pelos impressionistas e pós-impressionistas. Fazendo da pintura de paisagem a principal fonte de inovação estilística na arte pré-moderna.


"A Ponte de Narni". Camille Corot, 1826.

"Ville d'Avray". Camille Corot, 1867.

Os movimentos nacionalistas e regionalistas aumentaram a popularidade da pintura de paisagem ao ar livre neste período. Um pouco por toda a parte, incluindo Portugal, os pintores dedicaram-se a documentar as paisagens que os rodeavam.

Ficheiro:Antonio da Silva Porto - Recanto de praia.jpg
"Recanto da Praia". Silva Porto (sem data).

Imagem relacionada
"Ceifeiras". Silva Porto, 1893.


“Casas Brancas de Capri”. Henrique Pousão, 1882.

Na Rússia o grupo dos artistas "Andarilhos" foi um dos que levou este programa até às últimas consequências, sendo no entanto pouco conhecido no Ocidente. Isaac Levitan é um dos seus exemplos mais fulgurantes, alcançando na Rússia o estatuto de herói nacional, assim como Ilya Repin e outros.


Vladimirka". Isaac Levitan, 1839.


"O Lago Eventide", Isaac Levitan, 1895.


"Floresta" Isaac Levitan, 1885.


"Perto de Chuguevo". Ilya Repin, cerca de 1880.

Na Espanha, o principal promotor do gênero foi o pintor nascido na Bélgica Carlos de Haes, um dos professores de paisagem mais activos na segunda metade do século XIX. Depois de estudar os mestres da paisagem flamenga, ele desenvolveu a sua técnica para pintar ao ar livre. Haes levou seus alunos para pintar no campo, aproveitando o novo sistema ferroviário para explorar os locais mais distantes.


"Canal de Mancorbo, Picos de Europa". Carlos de Haes, 1876

Nos Estados Unidos, a Hudson River School, na segunda metade do séc. XIX, ficou célebre pelas paisagens em grande escala de carácter épico. O trabalho de Thomas Cole, o seu fundador, tem muito da filosofia da pintura de paisagem europeia - uma fé secular nos benefícios espirituais a serem obtidos com a contemplação da beleza natural. Alguns dos artistas posteriores da Hudson River School, como Albert Bierstadt, criaram obras que enfatizavam o poder bruto e até aterrador da natureza, de espírito ainda marcadamente romântico.

File:Distant View of Niagara Falls 1830 Thomas Cole.jpg
"Cataratas do Niagara". Thomas Cole, 1830.

Ficheiro:Bierstadt - Among the Sierra Nevada Mountains - 1868.jpg
"Sierra Nevada". Albert Bierstadt, 1868.

A Revolução Impressionista

O impressionismo germinou por volta de 1870 e caracteriza-se pela representação precisa da luz em suas qualidades variáveis, em detrimento das formas e dos contornos, que se tornam muitas vezes difusos ou meramente sugeridos. Por força das circunstâncias mas também por exigência programática, a pintura impressionista é de execução rápida, negando pormenores excessivos, que distraiam o observador da impressão fugaz da luz, presente no espaço.
O impressionismo abriu a porta para os diferentes formalismos e movimentos modernos do século XX. O termo surgiu dum título dum quadro de Monet, "Impressão do Pôr-do-Sol", de 1872. O movimento teve larga repercussão por todo o mundo, e permanece vivo nos dias de hoje, na obra dos pintores de "plein air", e não só.


"Impressão do Pôr-do-Sol". Monet, 1872.


"Jardim de Sainte-Adresse". Claude Monet, 1867.


"O Porto de Lorient". Berthe Morisot, 1869.


"La Grenouillère". Renoir, 1869.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Bom Trabalho


No decurso da pandemia do Vírus Corona decidi voltar a dinamizar este blog.
Para além das habituais bandas desenhadas e desenhos que costumava publicar, irei produzir diferentes textos dedicados aos meus alunos e não só.


A Universidade e o e-learning

Se por um lado o chamado e-learning oferece algumas vantagens evidentes neste contexto de pandemia, por outro lado anuncia o fim da universidade. De facto para que servem os edifícios com salas de aula, anfiteatros, pessoal admnistrativo, propinas e tudo mais, quando a educação transita para a web? Isto é algo que nunca vi reflectido nas reuniões sobre ensino à distância, nas universidades em que lecciono.
Cada vez mais submetidas ao falso consenso dos burocratas, maravilhados com a possibilidade de cortar despesas e apostar no out-sourcing dos seus docentes (reduzidos à categoria de activos, ou mercadorias do mundo empresarial), as universidades são hoje o maior obstáculo à livre circulação de ideias. Assim se explica esta passividade.
Mas eu na qualidade de docente precário que sempre fui, (como a generalidade dos meus colegas abaixo dos 50 anos), sou tão leal às instituições como elas são comigo. Não vejo sentido em restringir o acesso dos conteúdos digitais que produzo aos alunos inscritos nas minhas disciplinas. O meu conhecimento e a minha práctica enquanto artista e docente jamais estarão restritos por senhas de acesso, ou a plataformas digitais específicas. A minha escolha de difusão deve ser tão circunstancial como descomprometida, sob pena de me fechar numa redoma de contactos electrónicos, limitada por terceiros.
Esta crítica ao e-learning na forma como ele é entendido pela academia não pretende menorizar a importância da acessibilidade online de diferentes conteúdos científicos, pelo contrário. Acredito e bato-me por essa acessibilidade, aposto no seu  incremento, mas não me peçam para a tornar exclusiva a assinantes, paga a prestações (ou a propinas neste caso). Se assim for, a docência passa a ser um modelo de negócio, e as universidades serão rapidamente substituídas por agências publicitárias, que melhor servem os interesses do docente-empreendedor.
Por fim cabe-me fazer a apologia do ensino humanizado, que promove relações directas entre pessoas, no aqui e agora de uma sala de aula. A banda desenhada que acompanha este texto foi feita a pensar nisso. Sou artista e professor de desenho. A minha práctica assenta acima de tudo na capacidade empática e as imagens que se produzem em aula apenas por defeito sobrevivem no mundo virtual. Por mais vídeos didácticos que vejamos sobre desenho, pintura ou banda desenhada, aprenderemos sempre melhor com um professor ao nosso lado, intervindo no decurso dos exercícios, desenhando no nosso desenho, colocando questões à medida que elas surgem e não à posteriori, depois do exercício estar terminado. Como diz o meu amigo, artista e professor Nuno Sousa, “o desenho é performativo” e o seu ensino ainda mais...


A execução desta bd, passo a passo:

1 - Esboço preliminar a lápis


Nesta fase o desenho é muito livre. É a primeira camada, sujeita a erros e correcções sucessivas até ficarmos satisfeitos com o ritmo e sequenciação das imagens. Estabelecemos a composição geral e definimos os contornos aproximados dos vários elementos do desenho. É fundamental não pormenorizar demasiado nenhuma vinheta  antes de termos a certeza que a sequência nos agrada. Nesta imagem as vinhetas de cima estão mais trabalhadas do que as de baixo. Mas antes disso apresentaram o mesmo aspecto das últimas, mais “esquissadas”.
Na imagem seguinte vemos o desenho a lápis suficientemente trabalhado para passar a tinta. Habitualmente costumo ser mais lacónico nesta fase, não necessitando de pormenorizar tanto, o que se traduz em ganhos ao nível da espontaneidade do desenho. Quanto mais experientes nos tornamos mais depressa prescindimos dum esboço acabado antes de passar a tinta. Alguns autores como Bill Watterson, autor da série Calvin & Hobbes, chegam a prescindir totalmente do esboço, tão confiantes se sentem. Mas para um principiante isso é tudo menos aconselhável.



2. Passagem a tinta

Início do claro-escuro a tinta, neste caso a aguarela (a cor utilizada é o azúl da prússia). Como se vê é importante manter a unidade da prancha ao longo do processo, em sucessivas passagens de aguadas, do mais claro para o mais escuro, cobrindo a folha toda. A primeira vinheta aqui levou já uma segunda passagem. Depois de estarmos satisfeitos com a intensidade global do claro-escuro é tempo de pormenorizar certas partes mais importantes para a narrativa, como as expressões faciais, as mãos ou o que quer que seja que queremos chamar a atenção do leitor, acrescentando os negros mais intensos (neste caso a tinta da china preta) e eventualmente os brancos (pintados com branco da china), conforme se pode ver na imagem final.